EDP admite "riscos" nos EUA e abranda investimento em 2025 e 2026
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Depois de revelar que a empresa fechou ao ano passado no "vermelho", com prejuízos de 556 milhões, e de reconhecer que 2024 "não foi bom para a EDP Renováveis", o CEO Miguel Stilwell d'Andrade revelou que em 2025 e 2026 a empresa vai "moderar o ritmo de investimento" em nova capacidade renovável instalada - para 3,5 GW nos dois anos -, mantendo "critérios muito rígidos de equilíbrio entre risco e retorno".
"Estamos a moderar o ritmo do investimento, a manter o foco na eficiência e a ajustar a nossa estrutura ao novo contexto. Em termos de execução estratégica para 2025 e 2026, estamos a dar prioridade a um crescimento seletivo, com fortes critérios de investimento e melhorias de eficiência, para garantir que estamos levar a cabo uma expansão mais sustentável e rentável", explicou.
Sem avançar muitas perpetivas para este ano e o próximo, em termos dos resultados financeiros esperados, o administrador financeiro, Rui Teixeira, disse no entanto que o investimento da empresa deverá rondar os três mil milhões de euros em 2025 e abaixo disso em 2026.
"Estamos a moderar o ritmo dos investimentos para chegar a cerca de 3,5 gigawatts de nova capacidade em 2025 e 2026. Continuamos a dar prioridade à rentabilidade em detrimento do volume e a maior parte do crescimento está a vir dos nossos principais mercados na Europa e dos EUA, responsáveis por 90% das adições de 2025", disse Stilwell na call com analistas. Já para 2026, o CEO falou em 1,5 gigawatts (projectos em construção, já em pipeline ou negociação).
O gestor explicou que a empresa está a "seguir critérios de investimento mais rigorosos, que garantem um diferencial mínimo de 250 pontos de base em relação ao custo de capital". Com as cadeias de abastecimento agora já estabilizadas, a EDPR não espera mais desvios em termos de investimento nos EUA.
"Trata-se de uma carteira de ativos de alto rendimento e baixo risco. Estamos também a contar com cerca de 700 MW de novas adições e baterias ao longo destes dois anos e isso está a tornar-se um importante motor de crescimento nos EUA", disse Stilwell.
Questionado pelos analistas, o gestor afastou um cenário de "crescimento zero", dizendo que "os mercados mudam rapidamente, consoante os ciclos económicos". E negou que a EDP tenha tentado crescer depressa demais nos últimos anos. "Tentámos crescr tão rápido quanto conseguimos. Mas resgistaram-se eventos traumáticos para o setor energético, ao nível das disrupções das cadeias de abastecimento e do aumento do custo de capital. Os projetos demoram tempo e ao tentarmos crescer rápido, levámos com estes impactos", explicou, dizendo que "a rotação de ativos continua a ser uma parte muito importante da estratégia, e vai continuar ser", pelo menos estes dois anos.
"Após 2026, não sabemos", disse o CEO, prometendo uma maior visibilidade sobre a estratégia da empresa além desta linha temporal depois do verão, tento em conta que a empresa terá o seu Capital Markets Day mais para o final deste ano. Tal como já tinha dito anos, Stilwell confirmou que "2025 e 2026 vão ser anos mais complicados".
"Faremos uma nova atualização depois do verão, com projeções mais a longo prazo. Mas dado o atual contexto do mercado, sentimos necessidade de dar visibilidade para 2025 e 2026", explicou.
Stilwell admite riscos nos EUA, mas está otimista com a procura de energia no paísQuanto aos EUA e ao impacto da subida de Trump ao poder em janeiro (o que já levou a empresa a registar imparidades nos projetos eólicos offshore no país), Stilwell confirmou que "tem havido muita especulação e incerteza sobre o mercado americano e o que isso significa para as renováveis".
"Independentemente da incerteza política, é muito claro para nós que a procura de energia nos EUA deverá registar um bom crescimento ao longo da década, por causa da eletrificação da economia, da indústria e dos centros de dados. Continuamos a ter previsões de um crescimento de dois dígitos do PIB dos EUA até ao final de 2030. Sei que o mercado tem tido altos e baixos, mas os EUA têm previstas taxas de crescimento relativamente elevadas para os próximos anos", disse na sua intervenção, antes das perguntas dos analistas.
No entanto, admitiu riscos no país: "É óbvio que, apesar desta grande procura, existe incerteza nos EUA, por isso reconhecemos que estamos a lidar com esta situação de forma prudente e a fazer um planeamento e uma gestão dos riscos muito cuidadosos". Sobre o Inflation Reduction Act, diz que a lei tem apoio bi-partidário dos EUA, enquanto "a aplicação de novas tarifas às importações poderá ter impacto em equipamentos que são importantes para as renováveis, por outro lado, mas também irá estimular positivamente a produção local nos EUA e aumentar a procura de energia".
Stilwell disse ainda que a EDPR está a gerir cuidadosamente a incerteza nos EUA e "cautelosamente otimista quanto ao aumento da procura de eletricidade" no país.
Na Europa, a empresa também está a registar a um impacto positivo na procura de energia por parte dos centros de dados, com perspetivas de que 60 gigawatts de capacidade de energia renovável sejam leiloados em 2025.
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